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Publicações / Ecoambiental / ecoeconomia

O Céu pode Esperar (Parte II)
Eduardo Werneck Ribeiro de Carvalho – Ago/2002

Sabemos da importância dos Estados Unidos para a consagração do Protocolo de Kyoto bem como reforçar, a nível mundial, a necessidade de mudança de paradigmas, em termos de implantação de uma visão ecológica mais profunda. Preocupa-me, entretanto, a posição que os defensores da Agenda 21 e do Protocolo de Kyoto tomarão em caso de fracasso na adesão mínima exigida. É compreensível que muitos países encarem sua adesão como uma medida política condicional à validação do Protocolo no âmbito internacional, principalmente pelos Estados Unidos.

O Sr. George Bush acabou de declarar que seu país só tratará desta questão em 2012, no terceiro mandato após este para o qual foi eleito, quando o presidente será outro. Incrível! Já poderemos ter “certeza” pelas suas palavras do que os próximos dois presidentes vão decidir.

Por essas razões é que não há mais como transferir a questão ambiental para o nível “País”, esperando para ver o que a “nossa atual referência EUA” fará em termos da responsabilidade ambiental. Sua visão econômica traz a questão ecológica para a superfície dos interesses dos seus principais eleitores, as empresas de energia, e consagra para os próximos dez anos, pelo menos, a predominância explícita dos interesses econômicos americanos sobre os interesses da biodiversidade mundial.

Vejam que paralelos interessantes: podemos condicionar nosso desempenho econômico à estabilidade da moeda, mas somos incapazes de condicionar o mesmo desempenho econômico à estabilidade da emissão de gases e outras práticas poluidoras. No primeiro caso, se a política de crescimento ameaçar a estabilidade inflacionária, então controle-se o crescimento. No segundo caso se a política de crescimento ameaçar a estabilidade do meio ambiente, libere-se a instabilidade ambiental e criemos defesas contra as ameaças da natureza, aumentando mais os gastos com pesquisa e assistência médica.

Todo e qualquer estrutura produtiva só se sustenta se a sociedade consumidora der a sua chancela. Pode-se tentar persuadir pela força da propaganda, mas na verdade, todos os produtos e serviços só terão seus processos de produção e interesses validados se aceitos em todo o processo da cadeia de consumo, onde sociedade consumidora é soberana nas suas decisões. O que podemos fazer? Parece simples, mas não é: “Dar preferência sempre a produtos ecologicamente mais corretos”.

Para dar suporte de informação e conhecimento à sociedade, poderíamos desenvolver um sistema internacional de rating de empresas poluentes nos moldes do que ocorre para análise de risco de crédito de empresas e países. Uma empresa rating A ou superior deveriam adotar princípios de emissão controlada de gases poluentes, de aproveitamento de resíduos produzidos durante seu processo produtivo, de incentivo ao uso de materiais recicláveis e reusáveis, de certificação ecológica de seus produtos, de atitudes de transparência e ética com seus empregados, acionistas, fornecedores, governo e comunidade.

Organizações internacionais e ONG’s poderiam criar uma convenção internacional para aplicação da obrigatoriedade de todos os produtos indicarem os efeitos colaterais criados para o meio ambiente durante todo o processo produtivo, tal qual é exigido das industrias de fumo e farmacêutica.

O poder público poderia tornar obrigatório o estudo da ecologia e de práticas de preservação ambiental nas escolas. As universidades deveriam ter também a obrigatoriedade da disciplina ecologia em todas as faculdades, não importa a especialidade.

Quando falamos das faculdades de economia, especificamente, sabemos que a ecologia está ainda distante da cultura econômica. Confesso que demorei mais de 20 anos para entender que a economia, em sendo a ciência da escassez, em sendo a ciência que trata da otimização na alocação dos fatores de produção não poderia tratar da exploração das riquezas naturais, sem um raciocínio ecológico subjacente. Confesso que demorei mais de 20 anos para entender que a ecologia deve ser definitivamente parte integrante do estudo da economia. A rigor, a economia deveria ser uma disciplina contida dentro do escopo ecológico. Isto é exatamente o inverso do nosso discurso de hoje.

Quando vemos eminentes economistas falando que o protocolo de Kyoto pode ser um remédio com efeitos mais amargos do que os efeitos colaterais do nosso modus vivendi, não podemos acreditar que afirmações como essas levem em conta preocupações com as futuras gerações. Se nestas afirmações, prevalece à lógica dos interesses produtivos dissociados dos interesses maiores da sociedade e da qualidade de vida. Então todos têm razão. Só não vamos entender que qualidade de vida é simplesmente viver mais. A industria farmacêutica agradece a demanda crescente e inelástica da população da terceira idade, vivendo cada vez mais, mas sufocada por uma atmosfera cada vez mais poluída, sem falar na cultura alimentar inadequada. Resultado: aumento do consumo de remédios.

Quando vemos um economista canadense contestar o protocolo de Kyoto, alegando que os prejuízos seriam consideráveis para a cidade de Alberta. Só podemos concluir que estamos perdendo completamente a capacidade de pensar. O que é bom para Alberta, é bom para o mundo? É esse o raciocínio lógico que aprendemos a construir? Porque Alberta não muda sua matriz de produção, incrementando a produção de equipamentos e produtos de energia solar? O problema seria resolvido: reestruture a economia de Alberta e ela contribuirá menos para a poluição do Canadá e do mundo.

Sabemos criar revoluções tecnológicas, mas temos enorme dificuldade de criar uma revolução ecológica. É uma séria limitação, sem dúvida! Parece que adotamos como preceito permanente de evolução, o desenvolvimento tecnológico. Se quisermos mudar alguma coisa, esta mudança exige um redirecionamento das prioridades de investimento em estudos e pesquisas da tecnologia para a ecologia, aprofundando pesquisas que beneficiem o restabelecimento do equilíbrio Homem-Meio Ambiente, que aperfeiçoem produtos e serviços que possam ser economicamente viáveis de serem consumidos pela sociedade, que tornem água e ar limpos.

Falar de desenvolvimento sustentável é tornar a visão ecológica um fim em si próprio. É aceitar que não podemos depender, em nossa matriz energética, do petróleo da maneira que dependemos. Não podemos desprezar o sol da maneira que desprezamos. Não podemos aceitar com tanta passividade e descaso que o terceiro milênio se consagre como a “era dos descartáveis”. Até o homem está se sentindo descartável. Será que é isso que queremos?

O Brasil não está no anexo I, não precisando, portanto, cumprir as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto, que ainda esperamos que aconteça (só depende do Japão). Entretanto, estamos em processo de crescimento acelerado de emissão de gases na atmosfera, mais de 35% nos últimos dez anos. Nessa velocidade, estaremos nos habilitando a integrar o grupo do anexo I em pouco tempo, ultrapassando a Alemanha, Canadá e Itália.

Temos a maior bio diversidade do mundo, a maior reserva de água doce do mundo, água subterrânea em grande quantidade, a maior floresta tropical do mundo. Só perdemos para a África em emanações de raios solares. Temos enorme capacidade de geração eólica e potencial de energia da biomassa.

O que estamos esperando para fazer a nossa parte independente de Protocolo de Kyoto? As ONG’s tem tido um papel preponderante no incentivo a praticas ecológicas e sociais, mas não podem fazer tudo sozinhas. Precisam do apoio da sociedade, através das classes empresariais, dos consumidores e demais partes interessadas.

Temos um enorme potencial de crescimento usando processos de produção limpa e quanto mais atuarmos nesta direção, maior será o nosso poder de barganha internacional e com isso aumenta nosso potencial de absorção de investimentos via “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” e outros mecanismos que surgirem para institucionalizar o financiamento a projetos de produção limpa.

As universidades terão sem dúvida um papel decisivo nesse campo, pois nelas germinam as discussões no campo da pesquisa e da tecnologia. Uma consciência ecológica crescente nas universidades será um sinal extremamente positivo. Melhor ainda será se essa consciência for plantada desde as escolas primárias. O céu ficará realmente estimulado a esperar.

Enquanto isso não acontece, “o céu continua perplexo” com a nossa desídia ecológica, pois ele pode nos fornecer fontes energéticas limpas as quais simplesmente não aproveitamos, por alegações menores de restrições de viabilidade econômica quando, na verdade, é falta de atitude mesmo.

O céu continua perplexo pelo pouco caso que estamos tendo com a preservação de nossas bacias hídricas, com nossas queimadas, com a nossa capacidade de agredi-lo e continuar achando-o belo.

Apesar de tudo, o céu pode esperar, mas pede que não esperemos muito para fazer a nossa parte, implementando uma ”política de estabilização macro-ecológica auto sustentada”, significando não apenas uma economia estável, com “inflação zero” e crescimento econômico auto sustentado, mas acima de tudo uma ecologia estável, com “nível de destruição zero” e organização ecológica auto sustentado, com sua biodiversidade preservada.

Em ambos os modelos, educação, alimentação e emprego para todos.

Caso o céu enxergue medidas positivas nos demais ¾ do mundo, já que não poderemos contar com os Estados Unidos, ele certamente há de esperar. O Brasil tem um papel preponderante neste processo.


Eduardo Werneck Ribeiro de Carvalho, Economista, Analista de Mercado, Diretor da ONG Pensamento Ecológico.

Publicações / Ecoambiental

O CÉU ESTÁ PERPLEXO
Eduardo Werneck Ribeiro de Carvalho – Set/2002

Às vezes chego a pensar se todas essas reuniões multilaterais não são nada mais do que oportunidade de trabalho para diplomata, que sentem prazer na eternização dos diálogos, como se a vida fosse um business game. Confúcio dizia que “na vida o que importa é o movimento, não seus resultados”. Talvez esse seja o princípio mais importante da era da civilização. Só que para os na filosofia oriental os movimentos são baseadas em fundamentos. Essa é a diferença entre orientais e ocidentais. Os primeiros preocupam-se com a fundamentação e a ação. Os ocidentais preocupam-se mais com a ação e seus resultados.

Quando não partimos de fundamentos sólidos acabamos nos perdendo nos movimentos e não conseguimos chegar a resultado algum, a não ser de continuam a prevalecer os interesses imediatistas dos detentores do poder na geopolítica internacional.

Se o homem tem prazer em discussões bizantinas sob a premissa que todas os seres orgânicos e inorgânicos estão ao seu dispor, como defendia Francis Bacon. A sensação de poder e domínio sobre tudo e todos, transcendendo a Terra. Já estamos chegando a Marte, Júpiter, Saturno. Em poucos anos, quem sabe inventamos uma tecnologia que nos permita chegar à velocidade da luz e ir assim além do sistema solar, com passageiros a bordo.

Enquanto isso, continuaremos a discutir Rio +5, Rio + 10, Rio+20, Estocolmo+30, Estocolmo+40, Johannesburg +10, Johannesburg+20, fóruns permanentes.

Em uma coisa, uma representante dos Estados Unidos tem razão, a Agenda 21 tem palavras demais comparadas às ações realizadas. Só que as poucas ações partem mais de seu país do que qualquer outro. E ainda querem condicionar ações imediatas quanto à preservação de nossa biodiversidade e florestas às suas ações na área de energias renováveis. Alegam que a Amazônia e o Matogrosso não estão no Texas e no IOWA.

É por isso que acredito que alguma coisa de bom vai acontecer nos próximos anos. Deus foi justo em não colocar a floresta amazônica nos Estados Unidos ou Europa, pois senão elas não existiriam mais. Só para lembrete, quem acabou com o Pau Brasil? Ainda não existiam brasileiros nesta época.

Devemos sim agir já para preservar nossa biodiversidade e nossas florestas e nosso clima, pois é tudo uma coisa só. A Terra é uma rede re relações, costuradas pela Teia da Vida, como chama Fritjof Capra. Não podemos colocar essas questões em termos de barganha. O caminho é um só: reconhecer a existência de um passivo ambiental e trabalhar para equilibrá-lo com ações ambientais ativas.

O céu está realmente perplexo com nossa arrogância em transformar o destino da Terra e sua rede de seres vivos e não vivos construídos em um processo de 4,5 bilhões de anos em um jogo diplomático de poder.

Continuo com sérias dúvidas quanto aos limites da paciência do céu e da terra. Até onde ela pode aguardar para nos dar uma lição que talvez custe o fim da raça humana na Terra. Se tudo isso não passa de um jogo, porque não apostamos quando acontecerá o fim do mundo? Essa pode ser uma aposta sem ganhadores, pois quando isso acontecer, os ganhadores não estarão vivos para receber o prêmio.

Se Johannesburg efetivamente fracassar, estaremos convictos de que os grandes ganhadores de todo esse processo de discussão terão sido, até agora, os segmentos de organização de eventos e empresas dos ramos lazer e turismo. Mesmo esses segmentos não se interessam por um meio ambiente em degradação. A ninguém interessa esse status quo, a não se a quem tem interesses mesquinhos. Esses grupos estão com certeza aportados em segmentos produtivos de visão pequena, onde seus interesses corporativos são mais importantes do que os interesses do ambiente onde estão inseridos.

Quanto ao Brasil, para falar a verdade, evoluímos muito. Há 25 anos, nossos generais se orgulhavam do milagre econômico brasileiro e convidavam todas as industrias mesmo que poluentes a contribuir para o seu crescimento. Temos agora uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo. Só falta aplicar.

Os americanos têm razão, vamos agir mais e escrever menos. Que tal, eles começarem a rever seus padrões de consumo?

Eduardo Werneck, Economista da Pensamento Ecológico

Publicações / Ecoambiental / Ecoeconomia

A fome do ser humano, a fome da natureza e nossos limites de vivência
Eduardo Werneck Ribeiro de Carvalho (*)

Uma das prioridades do programa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “Programa Fome Zero”. Isto está representando colocar a questão da fome como uma prioridade em uma dimensão jamais colocada por nenhum governante ou país. Tudo o que foi feito até hoje, esteve restrito a ações de organismos paraestatais ou não governamentais, o que naturalmente tem impactos limitados, pois não é capaz de interferir nos fundamentos do problema.

Preocupa-me, todavia, que as ações anunciadas estejam apontando apenas providências unicamente econômicas relacionadas à geração de emprego e produção de alimentos.

No que se refere ao emprego, não tenho dúvidas. Esta talvez seja de fato a grande prioridade que deveria implicar na formulação de um pacto internacional de redução dos efeitos perversos que as inovações tecnológicas têm causado em termos de exclusão social. É certo que tivemos um progresso material inquestionável. Mas é certo também que a tecnologia fracassou na função de manter e criar empregos. Seu poder de destruir empregos tem sido bem maior do que criar empregos, em especial no mercado formal de trabalho. É certo também que o foco excessivo do desenvolvimento no progresso material e no conforto desviou o pensamento econômico de uma visão mais social e de bem estar.

Se nossa estrutura econômica formal permitisse empregos decentes para todos, sem dualidades (emprego formal x emprego informal). Se nossa estrutura econômica permitisse gerar empregos que significassem efetivamente bem estar social e não apenas produção ou renda: A resultante seria “Fome Zero” e Bem Estar “Cem”.

Quando falamos na questão da fome surgem algumas preocupações: atenderemos à demanda produzindo mais alimentos ou importando alimentos, tão somente? Ou faremos um esforço macro social para redução de desperdício de alimentos? Quanto de nossa natureza e de nosso meio ambiente poderá ser devastado para atender a uma necessidade justíssima que é permitir que seres humanos, enquanto vivos, possam se alimentar “adequadamente”. Quanta água será necessária para irrigar a expansão da produção, considerando-se que 70% da água doce usada no planeta é usada na agricultura.

Se quisermos tratar do tema de um modo sustentável, não podemos nem devemos resolver o problema criando outros problemas, muito sérios também, que é a devastação da natureza para produzir esses alimentos e o aumento da sede por falta de água.

Temos de prestar atenção, se em nome do Programa Fome Zero vamos resolver o problema da Fome do Ser Homem e criar fomes muito mais sérias: "Falta de Água” e a “Fome na Natureza”. Como disse, o ex-premier russo Gorbatchev, “A Natureza não Espera” e poderá dar um retorno muito mais sério, via desertificação de áreas, erosão de terras e redução da quantidade de água na Terra.

Lembremo-nos de que o entendimento de desenvolvimento sustentável vale para todos os seres vivos. Criar alimentos para todos às custas da destruição da natureza, de nossa água e de nossa biodiversidade é continuar a aceitar a premissa de Francis Bacon de que o Homem tem o direito de tirar o máximo proveito da terra e seus recursos naturais.

O Ser Humano é um dos raríssimos seres vivos cuja população cresce, sem nenhum controle natural ou ecológico, enquanto uma imensa diversidade de animais sofre ameaça de extinção e fome por falta de seus alimentos que lhes foram tirados para que pudéssemos liberar terra para produzir alimentos para os seres humanos.

Um dia, que não está longe, teremos de discutir seriamente quais são nossos limites em termos de expectativa de vida e ações humanas na terra. Um dia teremos de discutir seriamente quais são os nossos limites de sobrevivência na Terra. Não me consta que algum animal tenha conseguido ter sua expectativa de vida ampliada, na mesma proporção do ser humano, nos últimos trezentos anos. Se houver algum animal nessas condições, por favor, gostaria de ser informado, pois não sou biólogo e por isso não tenho informações precisas sobre essa questão.

A evolução quantitativa do homem de forma irrestrita significa simplesmente que precisaremos de mais alimentos de forma continuamente crescente. Teremos terra para tanto? Teremos água para tanto? Não conseguimos resolver os problemas dos que aqui estão hoje e aqui estiveram nestes últimos séculos. Com tudo isso a população não para de crescer graças à redução da taxa de mortalidade em proporções maiores do que a taxa de natalidade.

Precisamos discutir essa questão da fome junto com um enorme tabu para o Ser humano: devemos priorizar a inovação da bio tecnologia e da produção de remédios para salvar vidas ou para mantê-las vivas o tempo que a esta tecnologia e os remédios permitirem, sem importar as conseqüências para toda a nossa ecologia? Se este é o desejo do ser humano, este direito é extensível para todos os 6,2 bilhões de hoje, para os 7 bilhões de 2010. e, para os 10,5 bilhões em 2050?

Vamos matar a fome de todos os seres humanos famintos, mas que isso não signifique tornar a natureza e sua biodiversidade faminta.

Precisamos cuidar de criar condições dignas de vida para todos, entendendo que temos de nos autolimitar na Terra, aceitando o fato de que um dia de fato vamos morrer. Todos os seres vivos nascem, e morrem. Todos seguem o ciclo natural da vida. Hazel Henderson disse para Fritjof Capra que os economistas têm uma dificuldade enorme de aceitar a morte das empresas como um fato natural e necessário para que outras empresas surjam. Com certeza, ela concordará também de que não apenas os economistas, mas toda a espécie humana tem uma dificuldade enorme de aceitar a morte dos seres humanos, como fato natural para permitir que outros surjam e dêem continuidade à vida.

Não há como escapar do fato de que discutir a fome do homem é discutir também os limites da natureza e os limites de nossa vivência na terra, tal qual acontece com todos os seres vivos. Estamos chegando a um ponto em que permanecem vivos aqueles seres vivos que interessam ao ser humano para a produção de carne.

Neste ritmo de evolução de redução de mortalidade, pais e filhos poderão estar freqüentando juntos o mesmo asilo e, com fome, pois ninguém poderá sustentar, com alimentos e água, tanta gente ao mesmo tempo em que aumenta a desertificação e a erosão das terras, o desmatamento de nossas florestas, redução das fontes de água, o elemento mais essencial para a vida na Terra. Poderemos ter nossa fome saciada, mas poderemos estar, ainda neste século, morrendo de sede.

Como poderemos sustentar um sistema de vida onde o período de inatividade está ficando maior do que o período de atividade econômica. Lembremo-nos também que apesar de vivermos mais, os sistemas econômicos em vigor continuam considerando as pessoas de mais de 50 anos velhas para o trabalho, graças à exclusão provocada pela inovação tecnológica. Como vamos poder sustentar esse modelo?

Se pelo menos conseguíssemos reduzir o enorme desperdício de alimentos, que chega a mais de 30% desde o escoamento da colheita até o consumo final, estaríamos contribuindo para o problema. Estamos falando de um problema cultural, dos valores essenciais da vida. Neste quesito, a tecnologia pode nos ajudar muito pouco.

Tratar dessa questão de forma séria exigirá, urgentemente, a unificação dos fundamentos do pensamento econômico e do pensamento ecológico. O prefixo eco é o mesmo. Todas pessoas, famintas ou não, sedentas ou não, que moram na eco- nomia também moram na eco-logia. Com certeza o desperdício ecológico é praticamente zero comparado ao enorme desperdício econômico gerado no fluxo de produção e consumo criado pelo Ser Humano.

Na ecologia não existe lixo. Tudo se aproveita.

(*) Eduardo Werneck, Economista, Diretor do Pensamento Ecológico e Diretor da TSA Business especializada em Análise de Tendências, Modelagem Estatística para Negócios, Análise e Planejamento de Pesquisa de Mercado. Foi gestor de Fundos de Ações e de Fundos de Commodities na Caixa Econômica Federal.

Publicações / Ecosaúde

CIÊNCIA DO INÍCIO DA VIDA
Laura Uplinger

* Abril de 2004 - A Ciência do Início da Vida - Este artigo foi realizado a partir do curso: O PAPEL DA GESTAÇÃO NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA SOCIAL, realizado para fundar o Núcleo da PAZ, dirigido por Eleanor Madruga Luzes da ONG PENSAMENTO ECOLÓGICO. Este curso foi ministrado por Laura Uplinger com co-autoria de Eleanor Madruga Luzes, em 23 de janeiro de 2003 no auditório da Pequena Cruzada.

Há vinte e cinco anos venho estudando e trabalhando na área da concepção consciente e do desenvolvimento do bebê durante a gestação, nascimento e pós-nascimento. No início, foi o aspecto filosófico desta questão que me fascinou, e foi surpresa para mim quando em 1981 surgiu um livro intitulado “A vida secreta da criança antes de nascer”, do psiquiatra Thomas Verny, que ousou falar do psiquismo fetal. Pouco depois as ciências naturais desvendaram o sistema imune e muitos elementos de embriologia.

Meu interesse nesta área cresceu e levou-me à afiliar-me à uma organização com sede na Califórnia, que se chama “Association for Prenatal and Perinatal Psychology and Health”, (Associação para Psicologia Prenatal e Perinatal). A APPPAH é uma organização internacional multidisciplinar, e no seu site podem ser encontradas referências sobre livros, palestras, conferências, vídeos e anais de congressos sobre temas relativos à importância do psiquismo fetal e do nascimento do ser humano.

Esta organização nasceu em 1983, e o seu “embrião” está vinculado ao trabalho do psiquiatra Thomas Verny. Nascido na Tchecoslováquia, Verny atua em Toronto, no Canadá. Ele foi descobrindo ao longo de sua prática psiquiátrica, que em alguns pacientes existia uma memória do período perinatal. Na época, esta descoberta foi recebida com muito ceticismo e frieza pelos cientistas que o rodeavam, e ele então resolveu organizar um congresso com profissionais de outras cidades que haviam se deparado com a mesma hipótese. Verny conseguiu congregar umas quinhentas pessoas de diversas profissões e de vários países, (ainda que na cultura norte-americana a interdisciplinaridade seja uma idéia pouco querida, pois eles tendem a cultivar a especialização). Neste congresso, foi criada a PPPANA, (Pre-and Perinatal Psychology Association of North America), hoje APPPAH. O mundo acadêmico de Toronto não acolheu nada bem a idéia de que os nenéns não nascem, como explica a psicologia tradicional, virgens de experiência, nem uma ‘tabula rasa’. Verny chegou até a perder o direito de ensinar psiquiatria na universidade de Toronto, embora a titulação dele seja além de Ph.D, titulação rara e conseguida por pessoas de indiscutível seriedade científica. Apesar disso Verny priorizou a honestidade intelectual, e não colocou “na gaveta” esta faceta tão importante do psiquismo humano, que vem modificar o próprio referencial sobre o qual se baseia a prática da psiquiatria. A APPPAH engloba o conceito de saúde, não só no sentido do bem estar mãe-filho, mas também da saúde física e psíquica do futuro adulto.


Em 1993, organizei em Washington, DC. o sexto congresso internacional da PPPANA: “Womb Ecology - World Ecology” (Ecologia do Ventre Materno - Ecologia do Mundo). Etimologicamente, a palavra ecologia vem do grego oicos que significa habitat. O título do congresso faz alusão ao fato de que a maneira como nós somos tratados no nosso primeiro habitat, o ventre de nossa mãe, influencia imensamente a maneira como, mais tarde, nós tratamos nosso meio ambiente, o planeta Terra, que é nossa grande casa.

Desde 1995, os congressos da APPPAH vêm acontecendo a cada dois anos em São Francisco; o último realizou-se em dezembro de 2003 com o título “Birth, Brain and Bonding” (Nascimento, Cérebro e Vínculos). Nele foram explorados vários aspectos desta nova área da ciência chamada “brain science” (ciência do cérebro).

Uma origem notável da violência social foi estudada e está explicada no livro “Ghosts from the Nursery – Tracing the Roots of Violence” (Os Fantasmas do Berçário – Traçando os Caminhos da Violência), escrito pelas sociólogas Robin Karr e Meredith S. Wiley. Elas investigaram, em algumas prisões nos Estados Unidos, jovens prisioneiros que cometeram crimes sérios e foram condenados à prisão perpétua. Jovens de 18, 19 e 20 anos, e que não apresentam nenhuma psicopatologia. Pesquisando o histórico de cada um destes prisioneiros, as duas sociólogas se depararam com o fato da gestação e a pequena infância de todos eles terem sido marcadas por um stress imenso desde a concepção. Jovens capazes de agasalhar alguém com frio na rua, de dialogar amigavelmente com uma pessoa que acabaram de conhecer, mas quando algo os irrita (uma fechada de carro, o choro estridente de uma criancinha) não são capazes de processar esta irritação e querem acabar com o outro, chegando a matar, mesmo se tratando de um neném que eles nunca viram antes! A chave da compreensão biológica deste padrão de comportamento reside na formação do cérebro do ser humano. Nós temos no cérebro uma parte mais antiga, primitiva, dita reptiliana e temos o neocórtex. Quando, por exemplo, alguém nos dá uma fechada na estrada, o nível de adrenalina na nossa corrente sanguínea sobe imediatamente, pois há perigo de morte e precisamos estar em estado de alta alerta. Sentimos até vontade de xingar. Mas se este mesmo irresponsável precisa de auxílio mais adiante, somos capazes de oferecer ajuda. Nossa primeira reação, nossa irritação, não nos domina completamente, ela é processada pela parte frontal do nosso cérebro: o neocórtex. O que acontece com os seres gestados sob intenso stress? O nível de cortisona no sangue da mãe é tão alto que as vias de comunicação entre o cérebro primitivo e o cérebro mais elaborado, não se formam corretamente. Este complexo circuito de comunicação não pode ser devidamente ‘fabricado’ e ‘instalado’.

Na Suécia, o psiquiatra Bertil Jacobsen pesquisou inúmeros dados sobre suicídios de adolescentes, e encontrou uma correlação significativa entre o parto de cada um dos jovens que haviam se suicidado e a maneira que tinham escolhido para morrer. Quando o parto havia sido traumático, o adolescente havia dado um tiro na cabeça; caso houvesse tido uma importante circular de cordão, (o cordão umbilical enrolado em volta do pescoço), o jovem tinha se enforcado; muita anestesia durante o parto, suicídio por drogas... Esta pesquisa pode ser achada no site da APPPAH.

É importante notar que a geração nascida nos anos 50 foi a que mais se drogou até hoje... mas as drogas sempre existiram. O anestésico usado numa peri-dural ou numa anestesia geral, contém heroína e morfina. De certa maneira, parece lógico que os nascidos sob anestesia, recorreram mais tarde às drogas nos momentos de crise. E, nas últimas décadas, houve um brutal aumento pelo mundo inteiro, do uso de anestésicos durante o trabalho de parto.

Desde a metade do século XX, uma verdadeira cultura de eficiência profissional tomou conta da mulher. Nos Estados Unidos, a mulher que “sabe gestar” é aquela que só pára de trabalhar na última semana antes do parto... Lá, a licença-maternidade não é nem de três meses. As gestantes preferem trabalhar até os últimos dias antes do parto, para poder ficar mais tempo em casa com o neném. Se pedirem demissão do emprego para cuidar dos filhos, perdem seu status social. Manter um padrão de vida com viagens, casa grande e dois carros, parecer ser vital... Nos anos 90, em Los Angeles, tive a oportunidade de conduzir um grupo de reflexão chamado “Mommy and Me” (Mamãe e Eu). Um grupo de dez a vinte mães acompanhadas por seus nenéns que se reúnem uma vez por semana, para conversar sobre o que é ser mãe. Cada grupo reúne nenéns da mesma faixa etária. Alguns sábados, orientei o grupo das mães que tinham voltado a trabalhar. Fiquei impressionada com a honestidade destas mães; elas diziam claramente que é muito mais fácil ir trabalhar do que ficar em casa com um neném... É triste o nível de despreparo que nós mulheres temos para lidar com o universo do neném e das crianças pequenininhas. Quantas canções conhecemos de cor? Quantos contos de fadas? O que sabemos sobre o desenvolvimento físico, emocional, mental e espiritual dos nossos filhos? Algumas mães relatam que, quando estão em casa com o neném no fim de semana, chegam a ter vontade de ligar para o pediatra pedindo ajuda... A falta de convívio diário com o neném as impede de sentir-se à vontade com este ser tão exigente, e é difícil para elas entender as mensagens sutis, quase telepáticas do neném... Precisam descansar depois de uma semana de trabalho, e como explicar ao neném que elas estão sem forças para brincar?

O intercâmbio de informações nos Congressos da APPPAH é muito rico, e nestes últimos anos temos contado com a participação de cientistas que estudam a vida da célula. Os conhecimentos na área da biologia celular vêm se aprimorando, e por exemplo hoje sabemos que quando se retira o núcleo de uma célula, ela fica impossibilitada de se reproduzir, claro, mas não morre e todas as suas outras funções seguem ocorrendo. Por outro lado, se a membrana celular é retirada, e esta é por excelência um órgão de intercâmbio, a célula morre... mesmo seu núcleo estando intacto (pesquisa da universidade de Stanford). O Conselho de diretoria da APPPAH conta atualmente com a colaboração do biólogo Bruce Lipton ex-professor de Stanford. Lipton transpõe brilhantemente os novos conhecimentos sobre a biologia celular para o universo do neném em gestação. Cada célula tem dois modos de ser: ou ela cresce, se desenvolve e interage com o meio ambiente que a rodeia, ou percebendo que o “o mar não está pra’ peixe”, ela entra num “modus vivendi” de quase não vida, se retraindo, e interagindo o mínimo possível com o meio que a rodeia. Isto acontece com toda espécie de célula. Peter Nathanielsz, formado em obstetrícia e pesquisador da universidade de Cornell menciona em suas aulas e nos livros de sua autoria, que um neném gestado em condições de forte stress, nasce com peso abaixo da média mas com uma placenta anormalmente maior... A placenta é um grande órgão de intercâmbio, e a placenta de um feto gerado com muito stress, vai multiplicando seus vasos sanguíneos, vias de comunicação com o sangue da mãe, porque muitos destes vasos sanguíneos esclerosam e morrem, devido aos estragos da adrenalina (e derivados) em demasia... Nathanielz insiste que quando uma mulher está grávida, ela não está grávida sozinha: a família dela e a sociedade em que vive estão grávidas com ela.

Durante muitos anos, a ciência considerou a placenta como um órgão de proteção para o neném; tudo que acontecia com a mãe grávida era como que ‘examinado’ pela placenta e submetido a uma rigorosa triagem... Hoje se sabe que a placenta funciona não só como um órgão de transmissão mas também como um órgão de ampliação! Se uma grávida bebe um cafezinho, seu bebê recebe o equivalente de umas seis xícaras de café... já que o corpinho dele é bem menor.


O Heart Math Institute, um centro de pesquisa nos Estados Unidos que estuda essencialmente o coração, começou a publicar artigos de uns cinco anos para cá, sobre estudos que revelam que o coração envia para o cérebro mensagens hormonais. Graças a estes estudos, sabemos hoje que o coração está ‘hormonalmente’ em comunicação com o cérebro, enviando para este dados e estímulos, e não apenas dele recebendo comando.

Recomendo um livro que explica para o público em geral: “As Moléculas da Emoção” (Molecules of Emotion – de Candace B. Pert). Candace Pert foi a cientista que conseguiu descobrir o mecanismo bioquímico que torna possível o fato de meu corpo estar atento e reagir ao que eu estou pensando e sentindo. Antigamente, sabia-se que o cérebro tem a imagem de meu polegar, mas não se tinha comprovado que o inverso também é verdadeiro. No entanto, quando por exemplo, vejo algo muito belo, antes mesmo de perceber o quanto estou emocionada, brota uma lágrima nos meus olhos. Quem em mim processou esta lágrima? Quem em mim está atento à emoção que está me envolvendo, antes mesmo que eu tenha consciência dela? É claro que alguma mensagem bioquímica foi transmitida. Candace Pert passou muitas noites em branco trabalhando na famosa instituição “National Institute of Health” (NIH) em Maryland. Na sala de centrifugação, trabalhou incansavelmente com ‘xaropes’ de vários preparados orgânicos, e conseguiu isolar, principalmente em tecidos intestinais (onde é gerado o sistema imune), uma grande quantidade de moléculas, partículas de proteína que até então se pensava que só existiam no cérebro. Moléculas essas tidas como suporte bioquímico do pensamento. Pert descobriu esta substância pelo corpo inteiro, comprovando que somos seres pensantes sim, mas pensantes com todos os nossos órgãos e não só com o cérebro. Processamos pensamentos e sentimentos com nosso plexo solar, por exemplo. Sabemos hoje que todos nossos órgãos estão intimamente vinculados entre si, e se isto ocorre no organismo adulto, imagine o que ocorre num corpinho em gestação.

O cérebro de um embrião, de um feto, não se forma sozinho, ele precisa de todos os materiais que a mãe vai fornecendo ao longo da gestação. Claro que existem aspectos genéticos, e alguns até se referem a aspectos kármicos, mas o que prevalece na formação do cérebro é a quantidade e a qualidade dos nutrientes do sangue materno. Sabe-se hoje das conseqüências de uma nutrição deficiente durante a gestação, no que diz respeito, por exemplo, às dificuldades de aprendizagem que uma criança pode vir a ter. É importantíssimo que uma mãe grávida se alimente bem. E o alimento que o cérebro recebe não é só feito de calorias, sais minerais e vitaminas. Tudo o que a mãe sente, pensa, sonha e intui é veiculado hormonalmente pelo sangue. Assim a cortisona oriunda de um stress contínuo sofrido pela mãe, se torna um verdadeiro veneno; ela impede, por exemplo, a formação de um cérebro hígido. É como se construíssemos um prédio sem elevador ou escada interna que conduzisse aos últimos andares, só havendo uma escadinha externa... Se a gestante não tiver um bom nível de harmonia com ela mesma e com seu neném, este apresentará mais tarde seqüelas de “má construção”. Muitos dentre nós precisamos de anos de terapia, meditação, esforço, muito estudo e reflexão, para ultrapassar certas limitações de nosso ser que diminuem a qualidade do nosso caráter. Quem sabe, se tivéssemos nascido com um cérebro melhor formado, seriamos dotados de um melhor relacionamento com nós mesmos e com o mundo, poderíamos ser mais amorosos, mais livres, mais responsáveis, mais felizes e criativos no cotidiano.

A pré-concepção ainda é um tema tabu, um tema quase nunca mencionado no nosso mundo ocidental. Mas conheço, por exemplo, o trabalho de Carista Luminare-Rosen que mora na Califórnia, ao norte de São Francisco. Há muitos anos, ela vem organizando workshops com grupos de casais que estão pensando em ter filhos. Ela os recebe num ambiente propenso à reflexão e os estimula a pensar sobre os motivos pelos quais eles querem ser pais, o que acham que podem oferecer a um filho: que tipo de vida, que tipo de genética, que tipo de sonhos e ideais, quem são eles filosófica e materialmente falando. Um dos aspectos que ela os ajuda a enfocar é o tema de suas origens: que genealogia possuem, quantas esperanças, quantas qualidades adquiridas e concretizadas (ou não) pelos avós, bisavós e tataravôs. Trazemos no sangue e na alma a possibilidade de realizar alguns sonhos de nossos ancestrais, aqueles ideais que eles não puderam concretizar em seu tempo. Por exemplo, quanto tempo faz que a mulher pode votar e estudar, há quantas gerações podemos nos locomover com tanta facilidade pelo planeta e dispomos de tantos meios de comunicação? É importante saber de onde viemos, pois nos ajuda a poder alterar nosso rumo. Carista me confidenciou que no final de cada um destes fins de semana, ela tem o prazer de abraçar estes casais quando chega o momento da despedida, e os casais que ela abraça com mais emoção são aqueles que chegaram à conclusão de que querem um filho sim, mas agora não. Eles entendem que a complexa bagagem psíquica que trazem, ainda merece trabalho e conscientização, que é melhor esperar, para que interiormente sejam mais capazes de transmitir harmonia, entusiasmo e coragem ao ser que vão gestar. Desejam que seus filhos não venham perpetuar duras sagas familiais.

Um grupo de psicoterapeutas na Irlanda, chamado Amethyst, verificou nos “rebirthings” de seus pacientes, uma marcada analogia entre a maneira como estes foram concebidos e a maneira como atuam em suas vidas. Elas chegaram a adotar um conceito da física quântica, e explicam que a concepção é como uma onda fractal: assim como somos concebidos, somos gestados, paridos e vivemos, a menos que algo intercepte o percurso desta onda fractal.

Tive a felicidade de conceber uma filha numa comunhão consciente com meu marido. Durante a gestação, entendi que não era o momento para ser profissional do assunto, e sim mulher que se entrega ao ato de gestar. Um dia, minha filha, aos cinco anos, notou passando os olhos nas instruções de emergência de um avião, que havia uma clara omissão com relação à ajuda ao próximo: “- Mãe, tem um erro aqui: a gente não tem que ajudar todo mundo num acidente?”. Com isto exemplifico a diferença que ocorre na personalidade do indivíduo que é concebido, gestado e parido com carinho e consciência: essas crianças são naturalmente capazes de pensar solidariamente. É o cerne da mentalidade não violenta.

Saiu um artigo no jornal New York Times, logo após a primeira guerra do Golfo, sobre os primórdios da vida do Sadam Hussein. Ele foi fruto de um casal apaixonado que queria um segundo filho, mas durante a gestação a mãe perdeu o filho e o marido. O desespero desta mulher foi tal, que várias vezes ela quis se suicidar e não queria mais ter filho nenhum. A família a impediu do suicídio e do aborto. Então, ao mesmo tempo em que Sadam foi concebido com força especial, pois o foi conscientemente, sua gestação foi ‘escangalhada’ pela vida interior adoecida de sua mãe. Este homem, como sabemos, não dá muito valor à vida humana...

No meu carro, tenho um adesivo que diz “um mundo de crianças desejadas, faria um mundo de diferença” (“A world of wanted children would make a world of difference”). Quando cada concepção for um ato da vontade dos pais, poderemos em poucos anos fechar as instituições para as crianças abandonadas, as prisões, as escolas especiais. Em três gerações, poderemos eliminar deste planeta os ‘poluidores’, aqueles com ‘capacidade alterada de amar’ (adotando uma terminologia do Michel Odent), que precisam destruir e pisar no outro para se sentirem importantes.

Acrescenta-se a isto, o aspecto bioquímico da gestação. Com stress, ou sem stress, a bioquímica constitui o primeiro referencial que o ser humano tem. Se fui gerada num ambiente tenso, trágico, com muita confusão e muita briga, vou inconscientemente tentar recriar na minha corrente sanguínea a bioquímica da discórdia, da violência e da angústia quando estiver em crise, insegura e precisando de “reconforto”. Foi esta bioquímica que me gerou, com a qual fiz os meus órgãos, é onde me sinto verdadeiramente eu, e é normal que nos momentos difíceis e de incerteza eu procure me aconchegar nessa mesma “atmosfera”... Daí a importância de uma gestação com imaginação sadia, rodeada de beleza, envolta em nobreza, paz, dignidade, inteligência ética e criatividade. O ser que nasce de uma gestação verdadeiramente harmoniosa, se torna um adulto capaz de agir em qualquer situação na qual se encontre, de maneira sábia, construtiva e fraterna, mesmo tratando-se de uma situação de conflito ou de sofrimento grave.

A vivência do nosso nascimento está profundamente gravada no nosso psiquismo. Temos este dado reforçado pelas pesquisas feitas em diversos continentes - África, Austrália, Ásia e Américas - por antropólogos que colheram sangue, suor, saliva, transpiração e urina de membros de sociedade indígenas passando por um ritual de iniciação. Ou seja, situações difíceis, longas e muitas vezes dolorosas, destinadas a marcar a saída de uma condição psico-social e a entrada numa outra. Estes rituais divergem na forma, de cultura para cultura, mas em geral sempre envolvem jejum, danças, cantos e privação de sono. O fato é que algo fica para sempre marcado na vida dos indivíduos que passam por tais rituais. Foi na década de 80, que uns antropólogos examinaram essas amostras de sangue, urina, saliva, e transpiração de pessoas em rituais iniciatórios. Eles descobriram algo bastante interessante: a fórmula bioquímica presente no sangue dessas pessoas é idêntica à fórmula bioquímica presente na corrente sanguínea de uma parturiente... e do seu neném!

A bioquímica do sangue da parturiente e a bioquímica do sangue do neném estão intimamente envolvidas, e desde o início do trabalho de parto até mais ou menos uma hora depois do nascimento, essa bioquímica os torna extraordinariamente alertas e receptivos a tudo que lhes acontece. A presença desta composição bioquímica no corpo faz com que estes momentos fiquem para sempre fortemente gravados no subconsciente, assim como na memória celular da mãe e da criança.

Há uma história bem conhecida nos meios da ciência prenatal, do psiquiatra australiano Graham Farrant, que trabalhava dentro da linha da psicologia transpessoal (estreitamente vinculada ao renascimento ou ‘rebirthing’). Farrant mencionou a um amigo obstetra, que ele desejava assistir a um parto. O amigo então convidou Farrant para acompanhar um parto junto com ele no hospital onde trabalhava. A evolução do parto estava um pouco lenta, e o obstetra disse que iria precisar de um fórceps. Farrant ponderou se não valia a pena esperar mais um pouco. O obstetra concordou, mas alguns minutos depois, voltou a dizer que um fórceps seria necessário. Farrant de novo pediu que ele confiasse no ritmo do parto e o obstetra acabou se retirando da sala de parto sem dar explicações. Foi a parteira de plantão que auxiliou o parto, enquanto Farrant fazia as observações que desejava. Depois do nascimento da criança (correu tudo muito bem), Farrant foi conversar com o amigo na sala dos médicos; afinal é estranho um médico sair da sala durante um trabalho de parto. O amigo explicou que havia sentido uma fortíssima dor de cabeça. Farrant perguntou então se ele não tinha nascido de fórceps, e como o obstetra não sabia, Farrant sugeriu que ele verificasse este dado. A mãe do obstetra confirmou que ele havia nascido de fórceps... Esta simples história nos mostra o poder de uma ocorrência perinatal que permanece inconsciente e não é trabalhada. Durante anos, o obstetra optou com freqüência pelo uso de fórceps, fortemente influenciado pelo tipo de vivência do seu próprio nascimento. Diga-se de passagem que este médico provou ter uma mente bem aberta, pois não é nada comum um obstetra convidar um psiquiatra, terapeuta da linha transpessoal, para colher dados numa sala de parto.

Nossa espécie é mamífera, e como mamíferos, não deveríamos nos afastar tanto do modo de parir que a natureza desenhou para nós. Tanto o ato de parir como as horas subseqüentes ao parto tem conseqüências importantes para a mãe e para o ser que nasce. Um dos livros que cito na bibliografia desta palestra, é “Birth as an American Rite of Passage” (O Nascimento como Ritual de Passagem Americano) de Robbie Davis-Floyd, uma antropóloga do nascimento, professora na Universidade de Texas em Austin. Neste livro, vemos que a mulher e a criança recebem, durante o trabalho de parto e o parto, mensagens subliminares muito simples. Nos Estados Unidos, o parto domiciliar é muito raro, a tendência da mulher americana é a de acatar os mandamentos do médico e optar pelo parto hospitalar. Ao chegar no hospital, a parturiente é posta numa cadeira de rodas e a primeira mensagem que recebe é: “teu corpo não funciona bem, deixa que nós vamos tomar conta dele, confie em nós” (e não em você, no teu sentir, na tua intuição). Fica claro para a mulher que a filosofia vigente no hospital considera a cabeça separada do corpo. A parturiente fica eletronicamente ligada a várias máquinas durante horas, e o que ela capta é que não é capaz de parir sozinha, que seu corpo não está equipado para parir, que ela corre perigo e que sem o médico, as máquinas e a instituição, ela e a criança estariam perdidos. Quanta mensagem triste, fonte de ansiedade, angustia e desvalorização do seu próprio ser!

Vejamos bem, no hospital, o trabalho de parto e o parto ocorrem num lugar não tranqüilo, num território estranho à mulher, onde os cheiros não lhe são familiares, onde vários ruídos e sons a distraem, num lugar muitas vezes excessivamente frio e exageradamente iluminado. É o caso de repensar o tratamento que as parturientes recebem num hospital, e se o hospital como o conhecemos, é um local propício à fisiologia do trabalho de parto de um mamífero humano. É tão fácil perturbar uma parturiente: basta estimular seu neocórtex. Muitos trabalhos de parto acabam apresentando uma distócia, e isto explica a quantidade absurda de cesáreas no mundo ocidental. O obstetra e filósofo francês Michel Odent, explica muito bem este fenômeno no seu livro “O Camponês e a Parteira”: não devemos perturbar a mulher durante o trabalho de parto, diz ele, é necessário que ela esteja num ambiente bem tranqüilo, com cheiros e sons que lhe sejam familiares, na penumbra, sem roupa, aconchegada por uma temperatura agradável e sem se sentir observada. Estas são as condições propícias à fisiologia do ato de parir, pois elas permitem que o hipotálamo conduza harmoniosamente as diferentes fases do trabalho de parto. É esta parte bem antiga do cérebro humano que rege às complexas interações bioquímicas do trabalho de parto, e cada vez que o neocortex da parturiente é estimulado, as funções do hipotálamo ficam prejudicadas. Vivemos uma situação parecida cada vez que queremos adormecer: o que é melhor para que o sono chegue, muita luz, frio, barulho, alguém nos fotografando, uma enfermeira nos fazendo perguntas, pessoas entrando e saindo do nosso quarto... ou o contrário? Para parir, como para adormecer, é necessário que o nosso neocórtex esteja ‘desligado’, que nenhuma adrenalina o esteja estimulando.

E quando se separa a criança da mãe, para lavar porque ela nasce suja? Eu caí nesta, quando minha filha nasceu eu tinha uma banheirinha pronta para ela, perto da lareira com água numa temperatura ideal. Mas abracei a fofinha, percebi que ela tinha um delicioso cheiro de bala, um cheiro suave e açucarado, e resolvi não dar banho nela naquele momento. Ela nasceu com as mãos abertas, relaxadas, ao contrário da maioria das crianças que não nascem com este relaxamento; para elas o banho é certamente uma boa terapia... A água ajuda a ‘lavar’ tensões e estados negativos; mas quando estamos alegres, quando acabamos de meditar ou tivemos uma conversa maravilhosa, é bom deixar a chuveiro para depois.

Segundo um estudo feito em Cleveland por Anthony DeCasper, na primeira metade dos anos 80, com utilização de uma chupeta conectada a um computador (que mandava estímulos auditivos distintos segundo a duração das pausas na sucção), foi possível observar que os recém nascidos tem preferências quanto à voz do pai ou da mãe, histórias ouvidas durante a gestação ou não. Também foram observadas escolhas olfativas e visuais nos nenéns! Teve-se então certeza da memória das vivências intra-uterinas, e capacidade de escolha, ambas funções que envolvem elaborados procedimentos neocorticais. Finalmente tinham conseguido obter respostas de recém-natos, pois para estes sugar é conversar.

Ao dar uma aula em Washington, DC. para estudantes de Comunicação, falei sobre dois pontos: a comunicação da mãe para a criança, como já abordei aqui, e a comunicação que se dá da criança para a mãe. Sabemos que a gravidez traz um novo temário nos sonhos e nas fantasias das mulheres. Poderia dizer que tudo é comunicação, de célula para célula, de psiquismo para psiquismo, da sociedade para a gestante e vice versa.

Voltando ao parto hospitalar, muitas vezes o recém nascido é lavado e escovado debaixo da água da torneira, e depois colocado num berço de acrílico envolto num cobertorzinho de fibra sintética! No entanto (se o parto foi sem anestesia), durante a primeira hora de vida extra-uterina, a criança está programada para viver um estado de consciência alerta. Se ao invés de ficar nos braços da mãe, ela é entregue a um berçário, isto pode ser traduzido, mais tarde pelo seu subconsciente, por: “em momento de crise, seja um problema mais sério no trabalho, uma decepção amorosa ou uma situação que me faça sentir muito vulnerável, eu saio para comprar uma roupa de poliéster, um carro ou algo que me lembre o aconchego dos meus primeiros momentos”. Pela vida afora seguimos apegados a como fomos concebidos, como viemos ao mundo, e como fomos gestados.

Com relação à conexão de um feto com o psiquismo de sua mãe, assisti nos anos 80, um vídeo da organização americana “The March of Dimes”, no qual pediam a uma fumante grávida de sete meses, para fumar um cigarro (em vista da experiência ela tinha deixado de fumar a algumas horas). Ela estava eletronicamente monitorizada e era possível acompanhar o registro digital dos batimentos cardíacos do bebê. Bastou ela estender o braço para pegar seu isqueiro e o cigarro tão desejado, que os batimentos cardíacos do bebê acusaram uma forte aceleração... a mesma aceleração cardíaca que a nicotina do cigarro causava cada vez que a mãe fumava. Se a antecipação do ato de fumar um cigarro já pode produzir tal efeito, imaginem como outros sentimentos e pensamentos da mãe podem afetar um ser em gestação. O neném da experiência se apavorou e seus batimentos cardíacos aumentaram, porque num organismo ainda em formação, a nicotina e outras drogas, equivalem a uma dolorosa chicotada. A criança sofre uma perda de oxigênio sanguíneo, e outras alterações metabólicas que são penosas para ela. É importante entender que durante a gravidez a criança precisa se construir e não se proteger.

Quando Marcel Proust, grande novelista francês do inicio do século XX escreveu, sua obra famosa: “A la Recherche du Temps Perdu” (“À Procura do Tempo Perdido”), começou o primeiro tomo dizendo “Durante muitos anos eu me deitei cedo”..., e contou o momento de ir para cama aos oito anos de idade. Narrou em muitos parágrafos, sob o ponto de vista do menino que ele tinha sido, a maneira como a mãe lhe dizia boa noite. Isto gerou indignação entre os escritores franceses da época, pois eles não achavam de bom tom relatar o sentir e o pensar de uma criança. É digno de se notar que só agora o bebê está começando a ser importante na nossa sociedade ocidental. Quando minha mãe estava me esperando, na década de 50, em Nova York, só existiam três livros sobre parto e gestação nas prateleiras das livrarias. Quando minha avó estava grávida da minha mãe, nem se pensava em livros sobre gestação para o público leigo.

Até pouco tempo atrás, numa família com alto nível econômico e social, os nenéns eram amamentados por amas de leite, e babás tomavam conta das crianças, e sabemos que assim foi desde a antiguidade e em todos os continentes. Nem nas civilizações judaica e cristã, os nenéns ricos foram amamentados pelas suas mães! Podemos ver na nossa sociedade ocidental, que até hoje existe pouco prazer em amamentar, pouco conhecimento sobre o que é a amamentação. Nos Estados Unidos, a “LECHE LEAGUE”, foi criada por um grupo de mães indignadas que resolveram aprender tudo sobre a amamentação, já que os pediatras sabiam muito pouco sobre como amamentar, o que fazer em caso de mastite e outras ocorrências ligadas ao universo da amamentação. Nos anos 50, a amamentação estava realmente fora de moda; era o tempo em que se dava anestesia geral para a mulher não sofrer na hora do parto. A ciência tinha tido uma grande vitória e superado a advertência bíblica: “Parirás com dor”. A mulher que, apesar da descoberta do leite em pó, quisesse ainda imitar a vaca, tinha que ter cuidado de não “acostumar mal” seu filho, e dar de mamar bem regularmente de três em três horas. O número de casos de mães com abscesso no seio foi grande. Pois uma das piores maneiras de amamentar é regrar os horários, já que o leite materno muda de composição a cada instante, devido a uma comunicação especial entre o corpo da mãe e o da criança. Dar de mamar quando o neném pede é a melhor maneira de suprir o que ele necessita para seu desenvolvimento e crescimento. Aqui no Rio de Janeiro contamos com as “Amigas do Peito”, que há mais de vinte anos vem ajudando, de maneira linda, inúmeras mães a amamentar. As reuniões se dão nos jardins da PUC e da Casa de Rui Barbosa.

A antropologia e a etologia nos ensinam que existe muita semelhança entre o desenvolvimento do relacionamento mãe-filho nos clãs dos chimpanzés e nas sociedades humanas. É comum, por exemplo, ao longo do desenvolvimento de um neném, que antes de dar um ‘salto’ evolutivo, haja um momento de fragilidade, de aparente regressão. O mesmo ocorre com o filhote chimpanzé, e a boa mãe chimpanzé acolhe esta situação sabendo que seu filho precisa de mais aconchego naqueles dias. Os nenéns humanos são tomados em determinados momentos por uma maior necessidade de contato físico com a mãe, não querem se separar nem dez centímetros dela. E muitas vezes a mãe pensa que o filho regrediu, aliás, diga-se de passagem aplicar termos psicológicos para os fatos comuns da vida não ajuda muita coisa, e pode mesmo atrapalhar bastante. A criança está recuando para melhor saltar. Da maneira como a mãe, lida com esta necessidade que a criança tem do apoio dela, vai depender a qualidade do crescimento que está vindo. Quando isto é explicado para as mães, causa-lhes um grande alívio. O que acontece depois destes dias em que as crianças apresentaram este comportamento estranho, chorando mais do que de costume, por exemplo? Freqüentemente as mães relatam: cresceu quase três centímetros, ou “conseguiu fazer tal coisa”. Uma situação comum é febre alta aos dois anos de idade, quando ocorre o crescimento de dos molares. São momentos de desenvolvimento importante mas que a sociedade tende a ver como distúrbio. E isto porque, só se conhece doença, não se conhece saúde, pois esta inclui febre ainda que alta.

O choro do neném é importante para a estruturação do ego? O choro, é uma linguagem; é claro que existe o choro que serve para extravasar energia, e a mãe fica abraçadinha com a criança até passar, mas este choro é raro em recém-nascidos. Há uma espécie de comunicação telepática que é preciso ser cultivada, pela observação, a entrega e a escuta. A criança se expressa através da linguagem de seu corpo, e sinaliza seus desconfortos e necessidades, inclusive a fome. Mas é muito prazeroso para ela ver sua mãe providenciar o que lhe é necessário sem que ela precise chorar. Quando você evita que uma criança chore, você está comunicando, “estou aqui”, “posso te entender”. A criança vai assimilando desde o início que comunicação é possível e essencial, e que ela pode ser ouvida. A “mãe atenta” é aquela que percebe o que seu bebê quer sem que ele chegue a ter que chorar.

Temos que considerar o que vem acontecendo com as mães que trabalham e não tem tempo de ‘namorar’ seu neném. O retorno ao trabalho interrompe este tão precioso processo. Ao término da gravidez, o neném não está pronto como outros mamíferos ao nascer; é só com nove meses que uma criança alcança um nível de desenvolvimento motor comparável ao de um potrinho ou de um bezerro ao nascer. Pode-se dizer que a gestação humana dura nove meses intra-uterinos e nove meses extra-uterinos. As mulheres que têm o privilégio de poder ficar os nove primeiros meses junto dos seus filhos, se dedicando a eles, relatam ganhos enormes tanto para si, como para os bebês. A creche que muitos políticos pensam ser um grande avanço para a sociedade, é muitas vezes um lugar de sofrimento (privação) para as criancinhas. As mães também sofrem, conscientemente ou inconscientemente, visto que elas permanecem ligadas energeticamente aos seus filhos. É muito importante que nossa civilização valorize e proteja este tempo único da chegada de um novo ser humano sobre o planeta.

O cansaço físico pode ser grande para a mãe de um nenenzinho, mas vale mais a pena agüentar este cansaço do que a angústia causada por um adolescente que não recebeu o que precisava no tempo devido. A natureza não queima etapas. Há um tempo determinado para cuidar exaustivamente de uma criança, quando queremos que ela venha a amadurecer sadia. Ao descuidarmos disto, a dependência um dia virá, de um modo ou outro, transformando a vida da família num duro fardo por tempo indeterminado. Se precisar de ajuda, a mãe pode pedir auxílio para cuidar da casa, cozinhar uma boa refeição, mas não para tirar dela o contato com o bebê.

Graças a um movimento social que houve recentemente na Alemanha, a mulher, além de quatorze semanas remuneradas com salário integral, ganhou de um a dois anos de permanência autorizada junto aos seus filhos, em casa e continuando a receber um salário determinado. Isto é muito bom! Países de grande performance econômica como, por exemplo, Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Hungria, Portugal, Polônia, Nova Zelândia, Espanha, Suécia, Holanda, Luxemburgo e Itália, adotaram políticas de licença maternidade diferenciadas e resolveram investir em aporte financeiro para a mãe durante longos períodos.

Países como a Rússia e a Bulgária, que sofreram uma grande perda de sua mão de obra masculina com a morte de muitos de seus homens durante a segunda guerra mundial, instituíram a creche obrigatória para nenéns a partir de três semanas de idade, a fim de contar com o máximo de sua mão de obra feminina para a reconstrução de suas cidades e industrias. A geração criada deste modo apresentou uma importante incidência de delinqüência juvenil. Conheci em 1979, na Venezuela, uma engenheira búlgara cujo marido era diplomata e que estava recebendo durante três anos seu salário integral e ficando em casa com seu filho! Isto não ocorreu devido a um estudo científico, foi uma resposta ao sofrimento de uma nação inteira... Quem trabalha e tem filho pequeno, bem sabe que não é fácil chegar em casa depois de um dia de trabalho e ser uma mãe atenta, intuitiva, sábia, paciente e carinhosa.

As sociólogas já citadas, autoras de “Ghosts from the Nursery”, não relataram situações tão drásticas, apenas para denunciar algumas atrocidades da nossa sociedade; elas também mencionam as instituições que ajudam a prevenir semelhantes tragédias. Já existe em Seattle, no estado de Washington, creches onde os funcionários são treinados para identificar a criancinha cujo comportamento tende a desviar, cuja linguagem principal é por exemplo a linguagem do soco. Entre as crianças, há dois tipos de líderes: aquele que pede algo sorrindo e tombando gentilmente a cabeça para o lado (um gesto profundamente enraizado na etologia do nosso ser), usando um gestual que comunica ternura, e há aquele que agride e tenta pegar tudo para si na marra. Estes são chamados de “bullies” (brigões). Quando um “bully” (brigão) é identificado, a família dele é convocada, e juntos eles fazem uma terapia familiar. A pergunta essencial é: porque um comportamento tão violento, numa criança tão pequenininha? O cérebro é um órgão tão extraordinário que mesmo naquelas criancinhas cujo cérebro não foi suficientemente bem formado para processar uma frustração sem esmagar ninguém, a diferença depois de algumas semanas de terapia é notória. O cérebro pode se refazer, se ‘recircuitar’, tanto numa criança de dois a quatro anos, quanto num adulto. No entanto, é na primeira infância que o cérebro melhor consegue se refazer no que diz respeito à impulsividade e ao comportamento agressivo.

Qual o governo, que prefeito vai ser o primeiro a dizer “Vamos investir nas futuras gerações, presenteando nossas gestantes!” Cada cidade, cada bairro tem seus artistas, seus artesãos; alguns podem contribuir com umas horas semanais costurando e bordando, pintando, cantando, fazendo as gestantes cantarem, enfim realizando uma atividade artística com elas. A arte, o artesanato e a natureza presente em torno de todas elas. Fontes, riachos, bosques, jardins, bibliotecas, hortas e pomares. Tudo isto traria às mães uma oportunidade para esperarem seus filhos da melhor maneira possível, conscientes da importância de sua obra.

São muitos os perigos... vocês já imaginaram se todos os profissionais de saúde física e psíquica ligados à gestação fossem nestes centros e abrissem seus consultórios? Que lucro para o bolso dos que se beneficiam com o medo, a vaidade, a mania de competir! Mas que terrível. A gestação não é lugar de terapia, é bom lembrar que gestar é fisiológico. Não há fórmula para se gestar, a natureza não previu que uma gestante tenha um filho igual ao de uma outra. É na diversidade que a vida existe. Desde o início da criação deste planeta nenhum átomo é igual ao outro, nenhum floco de neve, nenhuma impressão digital. No entanto, olha como são feitas as maternidades! Cada trabalho de parto têm que evoluir segundo o mesmo padrão.

Claro que todos nós precisamos de lindos parques e de bibliotecas fabulosas, e muitos precisam até mesmo de cuidados básicos de sobrevivência, mas esta situação tem um que de viciosa: precisamos romper o ciclo e criar saídas. Consciência e generosidade são necessárias. Ao oferecer tais condições às gestantes, algo estará sendo feito para todos. Ah! se nós soubéssemos a nível político da importância do bem gestar para o futuro da humanidade! Sábios e filósofos já disseram, que se três gerações de pessoas forem concebidas e gestadas com consciência, plenitude e esta atenção que descrevi, haverá um salto de qualidade na espécie. Poderemos fechar as prisões, os hospitais psiquiátricos, e também as fronteiras, pois a violência não terá mais lugar no planeta.

Nem precisaremos enfrentar os problemas que enfrentamos hoje; por exemplo, a cultura da poluição deixaria de existir, com o advento de um ser humano não poluidor.

Faço questão de citar aqui, três autoras brasileiras que escreveram e escrevem sobre o tema do psiquismo fetal:

Inês Gomes Correia, que no início dos anos 90, fez uma tese de doutorado em comunicação pela UFRJ. Essa tese inclui uma pesquisa feita na Austrália, sobre como o feto reage às emoções da mãe. Pesquisa onde muitas mães grávidas tinham que assistir a um trecho do filme (“A Escolha de Sofia”). As mães recebiam o áudio via fones para que os nenéns não fossem diretamente expostos ao som do vídeo. Este filme contém imagens de situações desencadeadoras de grande angústia: num campo de concentração durante a segunda guerra mundial, a protagonista tem que escolher entre dois de seus filhos, aquele que poderá ter a vida salva. A monitorização dos batimentos cardíacos dos fetos detectou uma marcada aceleração cada vez que as mães se emocionavam em empatia com a atriz Meryl Streep.

A psicóloga Maria Tereza Maldonado, no início dos anos 80, na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, já fazia grupos de reflexão com grávidas na sala de espera do ambulatório de obstetrícia. Ela é autora de vários livros e textos sobre a relação obstetra – gestante e o psiquismo do casal grávido. Um dos seus últimos livros é “As Sementes do Amor – Educar Crianças de Zero a Três Anos para a Paz”.

A psicanalista Joanna Wilheim, autora do livro “O que é Psicologia Pré-natal”, fundou em 1991, e dirige até hoje em São Paulo, a “Associação Brasileira para o Estudo do Psiquismo Pré & Perinatal” – ABREP.

Em junho de 2003, uma amiga minha, a psiquiatra analista junguiana Dra. Eleanor Madruga Luzes, obteve seu mestrado em Psicologia Clínica pela UFRJ. O titulo da tese é: “A Função Sentimento Como Fio Condutor Para A Ecologia Humana”.

Nessa dissertação de grande valor filosófico, Dra. Madruga Luzes, enuncia que a psicologia tem uma contribuição importante para ajudar a resolver os problemas que a humanidade enfrenta hoje em dia. Esta solução, seria o advento do homo sapiens sapiens frater, um ser humano dotado de saudável auto-estima e capaz de sentimento fraterno para com todos os seres do planeta. Tal ser poderá vir a habitar o planeta caso sejam amplamente divulgados os conhecimentos que temos hoje no que diz respeito à influência da gestação sobre a saúde física, emocional, mental e espiritual do ser humano. Ela também insiste na urgência das escolas incluírem em seus currículos para os adolescentes, esses conhecimentos que revelam o quanto somos tributários da maneira pela qual fomos desejados, concebidos e gestados… Este tipo de estudo no segundo grau, pode ajudar imensamente os jovens a compreender a responsabilidade que temos sobre o nosso corpo físico e sobre a nossa mente quando queremos um dia vir a ser pai, mãe ou educadores.

Esta palestra é para mim, uma atividade de cidadania planetária. Podemos falar de células, do cérebro e de muitos dados científicos a respeito do embrião e do feto, podemos falar noite adentro da ciência da vida intra-uterina e dos primórdios da consciência. Mas uma questão se impõe: - “O que fazer com todo este conhecimento?” Nestes últimos vinte anos, a ciência vem descobrindo e corroborando a importância da gestação, na formação do corpo físico e do psiquismo do adulto. Devemos refletir sobre o que podemos fazer para melhorar o universo da gestante ao nível da população municipal, nacional, e mundial. É também importante pensarmos nos adolescentes que estão cursando o segundo grau, pois é um momento ideal para abordar os temas relativos à ciência prenatal. De onde viemos, como fomos sonhados, desejados e concebidos, como foi nossa gestação e como nascemos, que tipo de acolhida tivemos em nossas famílias, qual era então o estado de espírito de nossa mãe e de nosso pai, etc. Essas indagações que fascinam os adolescentes.

O que os adolescentes sonham um dia oferecer para seus filhos é também um tema muito rico e que leva à noção de responsabilidade para com a saúde tanto mental quanto física que desejam transmitir quando chegar o tempo de procriar.

Quando uma mulher está grávida, já não é bem o melhor momento para ela ler livros sobre como gestar, visto que tentar assimilar muitas informações em cima da hora pode gerar ansiedade. Se aqueles que estão se preparando para conceber um filho pudessem aprender tudo o que precisam saber sobre concepção, gestação, parto, puerpério e amamentação, eles poderiam viver uma gestação, gestando e não se informando. A informação é, com certeza, algo importantíssimo, mas tem o seu momento.

Eu conheço um planeta
sobre o qual as nações vivem em paz,
onde a natureza é respeitada,
onde a ciência e a filosofia
nunca são usadas para escravizar,
limitar, ferir ou aterrorizar...
Lá, cada pessoa é concebida
e gestada conscientemente.

Nesse mundo reina
um verdadeiro espírito de fraternidade,
e as grávidas são tratadas de maneira muito especial:
os meios artísticos e artesanais de cada comunidade,
estão a disposição delas.
As gestantes passeiam
por lindos parques floridos,
admirando árvores, estátuas e fontes...

De dia, o cantar dos pássaros as abraça.
De noite, as estrelas
as convidam para visitar mundos distantes...
Nesses parques há várias casas
onde as mães podem tomar parte em muitas atividades:
cantar, tecer, esculpir, bordar, desenhar...
Existem também teatros, bibliotecas e cinemas,
e é possível estudar, ensinar, meditar, rir e chorar.

Nas escolas desse planeta,
os adolescentes estudam a importância
da concepção, da gravidez, do parto e da amamentação
para uma humanidade feliz.
Os casais caminham para o momento da fecundação,
com suas mentes esclarecidas,
sabendo das dimensões fisiológicas,
psicológicas e espirituais de uma gestação,
podendo assim acolher serenamente o mistério da vida.


Este artigo foi realizado a partir do curso: O PAPEL DA GESTAÇÃO NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA SOCIAL, realizado para fundar o Núcleo da PAZ, dirigido por Eleanor Madruga Luzes da ONG PENSAMENTO ECOLÓGICO. Este curso foi ministrado por Laura Uplinger em co-autoria com Eleanor Madruga Luzes, em 23 de janeiro de 2003 no auditório da Pequena Cruzada.

Segue abaixo uma bibliografia recomendada, que embora esteja subdivida por áreas, é de leitura acessível a todos os interessados com uma formação de segundo grau, outros até, sem esta formação. Há também lista de sites passíveis de visita para aprofundamento no tema.


ANTROPOLOGIA

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Michel Odent publica trimestralmente um periódico Primal Health Research
Endereço: Primal Health Research Centre
72 Savernake Road, London NW3 2JR England.
e-mail: MOdent@aol.com
Banco de dados: www.birthworks.org/primalhealth

REHUNA – Rede Nacional pela Humanização do Nascimento
e-mail: mleite@matrix.com.br

VAUGHAN, Cristopher. How Life Begins – The Science of Life in the Womb – Christopher Vaughan. Editora Dell Trade Paperback


PSICOLOGIA PRÉ E PERINATAL
APPPAH (ASSOCIATION FOR PRE-AND PERINATAL PSYCHOLOGY AND HEALTH) - - PO - BOX 1398 – Forestville- California 95436-1398
Tel: (707) 8872838 e-mail: apppah@aol.com
e-mail: apppah@aol.com
www.birthpsychology.com

ABREP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA ESTUDO DO PSIQUISMO PRE E PERINATAL.
e-mail: joannawilheim@uol.com.br


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PSICOLOGIA E PEDAGOGIA

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Revista: Biology of the Neonate, cujo editor chefe é Jean-Pierre Relier do Hospital Port-Royal, Paris França.
Ver em especial artigo: Influence of Maternal Stress on Fetal Behavior and Brain Development (2001;79:168-171)
Centre de Recherches Biologiques Neonatales – Hôpital Port-Royal F–75674. Paris Cedex 14 França Tel: 331-58412151, fax 331-43290338
e-mail: jean-pierre.relier@cc.ap-hop-paris.fr

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SOCIOLOGIA

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AЇVANHOV, Omraam Mikhaël. A Educação Começa Antes do Nascimento. Lisboa: PROSVETA, 1982.

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HUXLEY, Laura; FERRUCI, Piero. The Child of your Dreams. Rochester, Vt.: Healing Arts Press, 1992.

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LUMINARE-ROSEN, Carista. Parenting Begins Before Conception: A Guide to Preparing Body, Mind and Spirit – For You and Your Future Child – Carista Luminare-Rosen Rochester, Vermont: Healing Arts Press, 2000.
Carista Luminare-Rosen criou e dirige o Center for Creative Parenting – www.creativeparenting.com. Neste Centro casais participam inclusive de work-shops de preparação para concepção.


Contato com Laura Uplinger: e-mail: uplinger@ntlworld.com - Comunicação que pode ser feita em português, inglês, francês e espanhol.

Publicações / Ecocultura

ECOLOGIA INTERIOR

Fé na Ordem!

Ordem, Mistério, Amor, Inteligência Cósmica ou como quiser ou puder chamar... Deus se você se sente melhor assim. Experimentar esta vivência de fé tranqüiliza. Esta experiência está disponível para qualquer um que se disponha a fazer o que é necessário para sintonizar esta Harmonia. Pode ser meditar, orar, ou simplesmente crer nela.

Muitos de nós, mais mentais, se sentem bem através da meditação, um caminho de dar descanso a mente, tão sobrecarregada... Simplesmente ser, como é uma árvore ou uma pedra, ou a chuva que cai porque é a ordem natural uma pausa para simplesmente estar presente... Então aos poucos o Mistério começa a ser desvendado. Por exemplo, dirigir seu carro atento a esta atividade e voltar a atenção para ela toda vez que se descobrir em elucubrações passadas ou futuras... Estar presente cada vez mais... Usufruir plenamente o presente em cada momento... E observar os resultados práticos. As idéias que surgem, aos poucos mudam de qualidade e você agradece ao "presente" cada vez mais... Você vai além do mental. O que a mente não alcançava vem por outras vias... E você gosta...

Outros, mais devocionais, usam as orações, os mantras, as preces, pedindo Luz, louvando, entrando em sintonia com a Ordem ou Harmonia por este caminho. Buscando a Ordem no Caos, Procurando compreender ou apreender que Deus escreve certo por linhas certas e nossos olhos destreinados é que vêem torto.

Outros de nós, mais vividos, aprendem simplesmente a aceitar, se entregar, confiar, fluir com leveza e confiança, sem resistência...

De uma forma ou de outra alguns de nós conseguem se elevar acima dos problemas, vendo-os com um certo distanciamento, voando mais alto alcançando a Verdade e a Paz interior. Assim agem com mais sabedoria, amor, leveza, alegria, criatividade, solidariedade, honestidade, alimentando cada vez mais esse processo, através de seus exemplos de vida. Mostram-nos que é possível viver numa outra Ordem, diferente da que hoje a maioria de nós insatisfeitos vivemos. O importante é crer que existem estas pessoas especiais habitando dentro de cada um de nós e a descoberta disso vem geralmente nos momentos de caos. Nos renascimentos, após as mortes em vida por que passamos, e durante os quais recebemos a ajuda de alguns que se dispõem a nos dar as mãos... E nos trazer de volta a Vida. Novamente, crer que somos todos instrumentos, partículas, consciências que a Inteligência se utiliza para manifestar-se. Somos assim co-criadores da Vida, somos como gotas que compõe o oceano, e sem as quais o oceano não é. Somos o oceano e a gota simultaneamente. Seja no aspecto físico ou emocional ou mental ou espiritual somos o Todo e as Partes. Tudo se mistura e ao mesmo tempo tudo é separado e assim o grande barato da existência se perpetua desde sempre. Se transformando e sempre o mesmo...

Se complicou vou tentar sintetizar:

Fazer honestamente o que for possível da melhor forma e depois relaxar, confiar, se acalmar para poder aguardar e observar... E então se assombrar, se emocionar, agradecer ou festejar, reconhecer o Divino, o Mistério em si mesmo, no outro, na natureza, em todas as situações, no presente e no passado e lógico, ou ilógico, no futuro Quando não entender, procurar sentir... E se não sentir, esquecer e procurar sobre-viver que o Tempo vai mostrar... Quando for a hora...

Namastê!
Beijos,

Luciene Zanolini
Vice-presidente do Pensamento Ecológico

Publicações / Ecotecnologia




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